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quinta-feira, 2 de julho de 2015

Relacionamentos e o amor de Deus


Outro dia, estudando para as aulas sobre doutrinas, encontrei uma definição sobre Deus que me impactou e ainda ecoa em meus pensamentos: "'Deus é amor' é uma declaração trinitária", ou seja, de que Deus é três: Pai, Filho e Espírito Santo. Se Deus é eterno e é amor, então ele é eternamente amor. E amor pressupõe relacionamento, então Deus é relacionamento eterno. Amor eterno.

A Palavra nos revela mais deste Deus e de como seu amor foi sendo manifestado em relacionamento. Primeiro entre si na criação (Gn 1). Se encontrando todas as tardes com o Homem criado (Gn 3:8). Após a Queda, chamando um povo para si e para cuidar (Gn 7:1-9). E, como maior expressão deste amor para nos incluir de forma profunda neste relacionamento, entregou seu Filho para que nos tornássemos filhos em adoção (Jo 3:16) e pudéssemos o chamar de Pai (Mt 6:9).

Como expressão máxima do amor de Deus entre nós, Jesus nos ensinou como devemos tratar uns aos outros. Este ensino veio em forma de exemplo, e seu maior exemplo foi sua entrega aos relacionamentos que se manifestaram em chamar discípulos, exortar, compreender e perdoar. E quando Ele nos dá o mandamento de amar o próximo, Ele mesmo já deu exemplo deste amor, na história e entre nós.

Deus é amor, nós não somos. Nós manifestamos o amor que recebemos de Deus. O relacionamento em amor é o que Deus deseja de nós, para com Ele e para com o próximo. É nos relacionamentos que somos testemunhas, manifestamos e provamos do amor de Deus. No relacionamento com aquele que é amor produzimos frutos que alimentam nossa relação com o próximo, e assim o amor de Deus é conhecido através de nós.

sábado, 25 de outubro de 2014

Santos, por quê?


  • Porque Ele é santo 
"Portanto, estejam com a mente preparada, prontos para a ação; sejam sóbrios e coloquem toda a esperança na graça que lhes será dada quando Jesus Cristo for revelado.
Como filhos obedientes, não se deixem amoldar pelos maus desejos de outrora, quando viviam na ignorância.
Mas, assim como é santo aquele que os chamou, sejam santos vocês também em tudo o que fizerem, pois está escrito: "Sejam santos, porque eu sou santo".
Uma vez que vocês chamam Pai aquele que julga imparcialmente as obras de cada um, portem-se com temor durante a jornada terrena de vocês."
1 Pedro 1:13-17

Santidade originalmente significa "separado". Este é um conceito relativamente fácil de se compreender quando falamos de Deus, pois diante de toda sua grandiosidade, glória e poder, percebemos que Ele deve ser, por definição, separado de Sua criação em suas características. 

Agora, a maior definição possível para a santidade de Deus é a de que Ele é totalmente separado do pecado. Como essencialmente Santo, ainda que Ele se relacione com sua criação revelando através dela sua glória e seus atributos (Rm 1:20), Ele odeia o pecado ao ponto de requerer uma separação total dele, e como justo Juiz, exigir seu pagamento (Rm 1:18).

Portanto, como filhos obedientes (14), não devemos viver como éramos quando não conheciamos o quanto o nosso pecado era odiado por este Ser glorioso e Santo, mas devemos viver uma vida com novos interesses e desejos, longe das paixões antigas e desejos egoístas. Longe de desejos que roubavam a glória de Deus. E o texto nos apresenta o termo "amoldar", que denota a conformação, o que é muito diferente de uma vida de luta contra nossos pecados.

Visto que a impecabilidade só virá no céu, devemos viver uma vida santa para a honra e glória de nosso Deus, pedindo mais de seu Espírito Santo (Lc 11:13) para combater e mortificar nossos pecados (Rm 8:3), sem nos amoldar ou conformar a eles. Se antes de conhecer a verdade de Deus éramos mentirosos, que não mintamos mais. Infelizmente vamos sim, em razão de nossa impecabilidade contar uma mentirinha ou outra, mas nunca mais devemos ser mentiroso, amoldados à mentira. Se tinhamos apego à cobiça, se não podíamos ver nossos amigos com terem coisas melhores que as nossas sem ardentemente desejar para nós, aprendemos com Deus a ser contentes com o que temos. Infelizmente, podemos invariavelmente, cobiçar algo em nossos corações. Mas nunca mais seremos amoldados à cobiça. Portanto a ordem é para que não nos amoldemos à desejos da época de nossa ignorância, de quando não conheciamos as santas verdades de Deus.

Pedro também nos instiga, de forma objetiva, a vivermos com temor (17) àquele a quem chamamos de Pai enquanto estamos nesta vida ou jornada terrena. Este temor não é uma atitude medrosa ou temerária por alguma punição. Deus é justo sim, e Ele punirá toda iniquidade (Jo 3:18). Mas aos crentes à quem Pedro dirigiu a carta e à nós, não caberá punição (Rm 8:1). Então porque viver em temor? Pela grandiosidade deste Pai. Pelo seu poder, amor, majestade, glória, força, imensidão, autoridade, infinitude, eternidade, justiça, entre tantos outros (Rm 11:33-36). Temos um relacionamento de filho com este ser Perfeito, e isto não deve nos levar a ter uma vida igual à de quem não é filho Dele nesta terra, nesta peregrinação. Levando uma vida de temor à Deus mostraremos automaticamente às outras pessoas suas características. Seremos reflexos e canais de seus, e unicamente seus, gloriosos atributos nesta terra (2 Co 3:3). Além disso, como peregrinos nesta terra, devemos viver como quem tem sua esperança na morada final. Sabendo que Jesus está agora nos preparando uma morada, nossos olhos nunca devem perdê-la de vista. E uma vida de santidade é o que se espera de alguém que está esperando para morar com Jesus Cristo.

  • Pelo preço

"Pois vocês sabem que não foi por meio de coisas perecíveis como prata ou ouro que vocês foram redimidos da sua maneira vazia de viver que lhes foi transmitida por seus antepassados, mas pelo precioso sangue de Cristo, como de um cordeiro sem mancha e sem defeito, conhecido antes da criação do mundo, revelado nestes últimos tempos em favor de vocês.
Por meio dele vocês crêem em Deus, que o ressuscitou dentre os mortos e o glorificou, de modo que a fé e a esperança de vocês estão em Deus."
1 Pedro 1:18-21

Outro aspecto fundamental que deve nos levar a uma vida de santidade é o preço pelo qual fomos comprados. Quando fomos remidos e nossos pecados foram pagos naquela cruz. Mas eles não foram pagos com moeda ou ouro. Não foram pagos por nossas atitudes, por nossas boas ações, por nosso serviço pela igreja. Nossos pecados foram pagos pelo precioso sangue do cordeiro. O Filho de Deus foi feito oferta pelo pecado (Rm 8:3; 2 Co 5:21), pois somente um sacrifício perfeito poderia apascentar a ira de um Deus perfeito.



Certamente ele tomou sobre si as nossas enfermidades e sobre si levou as nossas doenças, contudo nós o consideramos castigado por Deus, por ele atingido e afligido.Mas ele foi transpassado por causa das nossas transgressões, foi esmagado por causa de nossas iniqüidades; o castigo que nos trouxe paz estava sobre ele, e pelas suas feridas fomos curados.Isaías 53:4-5
Jesus não desviou a Ira de Deus que estava sobre nós (justificados), Ele a absorveu!Josemar Bessa

"O sentido da cruz é horrivelmente distorcido, quando os profetas contemporâneos que pregam a auto estima dizem que a cruz é testemunha do meu valor infinito, já que Deus estava disposto a pagar um preço tão alto para me alcançar. A perspectiva bíblica é que a cruz é testemunha a favor da infinita dignidade da glória de Deus e contra a imensidão do pecado de meu orgulho. O que deveria chocar-nos é que temos trazido tanto desprezo sobre a dignidade de Deus que a morte de seu próprio Filho foi requerida para vindicar esta indignidade. A cruz se levanta como testemunho da infinita dignidade de Deus e o infinito ultraje do pecado." John Piper

Diante da perspectiva de qual a grandiosidade e glória deste que derramou seu sangue na cruz para pagar nossos pecados. O Verbo que se fez carne (Jo 1:1), aquele que é a imagem do Deus invisível, por meio de quem tudo foi feito, tudo existe e subsiste (Co 1:16-19), aquele que tem todas as coisas sob os pés (Ef 1:22), o Filho amado de quem o Pai se compraz (Mc 1:11), aquele que é um com o Pai (Jo 10:30). Este que, rejeitado, ouviu seu povo gritando "Mata-o, mata-o, crucifica-o" (Jo 19:15). Este que, pelo nosso pecado, foi cuspido, espancado, zombado (Mt 27:30-31), pregado numa cruz entre ladrões (Mt 27:38), nele foi colocada uma coroa de espinhos (Mc 15:17), no sofrimento da cruz disse "tenho sede" e lhe deram uma esponja embebida em vinagre para beber (Jo 19:29), este que expirou depois de tanto sofrimento dizendo "está consumado"(Jo 19:30).

Mas esta história não termina aí. Estava consumado, a ira do Santo Deus estava satisfeita. Mas este Jesus Cristo, o glorioso Deus Filho, foi ressuscitado. Vencendo a morte, pisando na cabeça da serpente (Gn 3:15). E este Jesus homem hoje está em posição de honra, à direita do Deus Pai (Lc 22:69). Nos preparando morada (Jo 14:23). E é olhando para esta morada que, vivendo de maneira digna dela e pelo que ela custou, devemos viver em santidade. E percebendo que este sacrifício foi a manifestação do amor de Deus (Jo 3:16), viveremos de maneira santa, não pela lei, por regras de homens, por condutas sociais, ou por aparência de religiosidade, mas por quê o amor de Cristo nos constrange (2 Co 5:14).
  • Conclusão
Seremos santos vivendo com a perspectiva do céu, na esperança da volta de Cristo. Devemos ser santos nesta jornada como Deus é Santo, para agrada-lo e glorificá-lo, e para que outros pessoas vejam a ação de Deus em nós e creiam Nele. Seremos Santos quando vivermos com a perspectiva do que custou nossa salvação, o Sangue de Cristo. E seremos Santos, quando vivermos contemplando a glória de Deus na ressureição de Cristo. Somos Santos porquê já temos a vitória eterna em Jesus. É quando entendemos que vivendo uma vida sob as perspectivas do temor e do amor de Deus, somos santos para a glória Dele.

Também no blog Bereianos.

quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

Natal: uma data para celebrar a paz e o amor!

Muitas pessoas desfrutam do Natal e o entendem como uma data em que se deve tratar a todos com amor, ser pacíficadores, restaurar relacionamentos, distribuir perdão, fazer uma auto-análise de como foi ano, dos acontecimentos, o que deve ser repensado, modificado, melhorado, etc.

Estes atributos estão relacionados ao Natal por ele ser a data comemorativa cristã do nascimento de Jesus Cristo, e estes atributos estão ligados a Ele. Boa parte das pessoas transmitem estas características, às vezes até as desligando da pessoa a quem se refere, por ter na cabeça a imagem de um cristianismo que se parece mais com uma caricatura de filantropia do que algo a ser vivido e conhecido profundamente, distorcendo o sentido real da ligação dos "atributos natalinos" com Jesus Cristo.

Há um pano de fundo real onde estes atributos só fazem sentido quando são aplicados a e relacionados a Cristo e ao propósito de sua vinda.

Falamos em amor no Natal, porque a vinda de Cristo foi uma manifestação do amor de Deus:
Foi assim que Deus manifestou o seu amor entre nós: enviou o seu Filho Unigênito ao mundo, para que pudéssemos viver por meio dele.1 João 4:9
E este amor foi manifestado para sanar uma realidade: a do pecado, e para pagar por eles morrendo no nosso lugar.
Nisto consiste o amor: não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou e enviou seu Filho como propiciação pelos nossos pecados.1 João 4:10 
Aí sim chegamos ao ponto do verdadeiro sentido do amor que deve ser compartilhado entre nós, não só no Natal:
Amados, visto que Deus assim nos amou, nós também devemos amar-nos uns aos outros.1 João 4:11 
No Natal também falamos em paz, reconciliação, analisamos nossa vida e tentamos tirar lições boas do que passou por um motivo: Cristo nos dá paz com Deus, reconciliando nosso relacionamento com Ele, e nos dá lições nas nossas caminhadas onde aprendemos tanto com as coisas ruins, quanto com as boas que acontecem.
Tendo sido, pois, justificados pela fé, temos paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo,Romanos 5:1

Os "atributos natalinos" paz e amor, nada mais são do que reflexos, não de caricaturas, mas de verdades, que quando conhecidas, nos possibilitam comemorar muito mais o Natal, sabendo verdadeiramente que grande amor nos atingiu, e a grande reconciliação que obtivemos pela vinda, vida, morte e ressurreição de Jesus Cristo.

Feliz Natal!

Também no blog Bereianos.

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Avivamento, Discipulado e Vida Relevante: Uma resposta à compreensão do amor de Deus.

Eu gostaria de falar destes três temas, que são muito importantes pra nossa fé cristã, a partir de uma perspectiva: O entendimento do amor de Deus. Vamos ao texto:

1 João 4:7-18:
7 Amados, amemo-nos uns aos outros, pois o amor procede de Deus. Aquele que ama é nascido de Deus e conhece a Deus.

8 Quem não ama não conhece a Deus, porque Deus é amor.

9 Foi assim que Deus manifestou o seu amor entre nós: enviou o seu Filho Unigênito ao mundo, para que pudéssemos viver por meio dele.
10 Nisto consiste o amor: não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou e enviou seu Filho como propiciação pelos nossos pecados.
11 Amados, visto que Deus assim nos amou, nós também devemos amar-nos uns aos outros.
12 Ninguém jamais viu a Deus; se nos amarmos uns aos outros, Deus permanece em nós, e o seu amor está aperfeiçoado em nós.
13 Sabemos que permanecemos nele, e ele em nós, porque ele nos deu do seu Espírito.
14 E vimos e testemunhamos que o Pai enviou seu Filho para ser o Salvador do mundo.
15 Se alguém confessa publicamente que Jesus é o Filho de Deus, Deus permanece nele, e ele em Deus.
16 Assim conhecemos o amor que Deus tem por nós e confiamos nesse amor. Deus é amor. Todo aquele que permanece no amor permanece em Deus, e Deus nele.
17 Dessa forma o amor está aperfeiçoado entre nós, para que no dia do juízo tenhamos confiança, porque neste mundo somos como ele.
18 No amor não há medo; pelo contrário o perfeito amor expulsa o medo, porque o medo supõe castigo. Aquele que tem medo não está aperfeiçoado no amor.
Nós amamos porque ele nos amou primeiro.
Agora, para obter bem esta compreensão, também precisamos nos lembrar quem nós somos, quem é Deus e o qual a nossa posição diante Dele.
Logicamente que para esta tarefa não teria espaço e nos faltaria intelecto, para descrever quem é Deus e quais seus atributos (Rm 11.33), sendo assim, vou utilizar as formas mais básicas e populares que usamos em geral para descrever a Deus, creio que será o suficiente para a análise em questão. Se sairmos por aí e perguntarmos para as pessoas quem é o Deus o que elas diriam? Como responderiam? Creio que seriam ditas algumas coisas como: Deus é Triuno, Santo, bom, justo, sábio, eterno, fiel, onisciente, onipresente, onipotente, criador e mantenedor de todas as coisas, etc... Há muitos outros, além de uma que o texto em questão disse: Deus é amor. Gostamos desta frase, de fato ela é linda. Colocamos nos carros, nas portas de casa. Já ví até pixação em parede dizendo isso.

Certo, agora que definimos quem é Deus, vamos para outra definição: Quem somos nós?
Somos seres criados por este Deus, com o propósito de ter comunhão com Ele, glorificá-Lo e dar a Ele toda honra e toda a glória para todo o sempre, porém somos criados com o poder de escolher fazer isso. Deus criou seres com vontades, com capacidade de julgar o bom e o ruim. Em Adão, é sempre bom lembrar, houve o pecado que nos separou do de Deus, aquele pecado que não só nos separou de Deus mas que trouxe como consequência um caos cósmico, onde agora até natureza geme como com dores de parto até a volta de seu Redentor (Rm 8.22-23).  Mas quanto ao homem, somos seres que nascemos contaminados pelo vírus do pecado, e que seremos condenados por Ele. Afinal, se Deus é justo, deve tratar nosso pecado com justiça, como merecemos ser tratados. Se Ele é Santo e Justo, deve se separar de nós e condenar nossa fuga do propósito para com o que Ele nos criou: ter comunhão, glorificá-lo e obedecê-lo. Como o salário do nosso pecado é a morte, Deus pedia que houvessem sacrifícios de animais, que eram oferecidos a Deus como reconhecimento de parte dos homens que a desobediência e os pecados deles resultariam em derramamento de sangue, morte e separação eterna daquele é a fonte de vida.

Na santa e justa análise de Deus, estávamos todos condenados a morte eterna pelos nossos pecados. Não havia um justo sequer, todos os homens haviam pecado. Ninguém que pudesse chegar diante do trono de Deus no dia final e dizer: Eu não pequei, sou justo. Ele lida com nossos pecados e com os pecadores com justiça. Mas pode-se perguntar, onde se manifesta o amor e a bondade de Deus?

Aí que está a chave de tudo isso, de todo este plano e de todo o propósito de Deus: Jesus Cristo. De forma que Deus, quando olha para cada um de nós se lembrava de Adão, homem criado, pecador e desobediente (Rm 5.12) como nós. Deus se fez homem enviando seu Filho, como único cumpridor da santidade requerida do Pai, para que o sangue de um justo fosse derramado, e para que houvesse na humanidade um representante cujo sacrifício agradasse a Deus, o sangue derramado do cordeiro puro, do Filho de Deus, como pagamento dos nossos pecados e selo da nova aliança, aliança da graça (Rm 5.17). Jesus, recebendo a ira de Deus que nós merecíamos, foi morto sem ter pecado algum, proporcionando, para quem crê Nele como único e suficiente salvador, acesso ao Pai e morada celestial na Sua volta redentora, quando toda a criação será restabelecida e redimida (Ef 1.9-10).

Fechando o raciocínio, nós somos criaturas de Deus, que por livre e espontânea vontade nos afastamos e pecamos contra Ele. Que merecíamos como tratamento justo de Deus, sua ira. Mas que pelo Seu amor e bondade nos proporcionou um meio de reconciliação: Jesus Cristo (Jo 14.6; At 4.12).
Foi assim que Deus manifestou o seu amor entre nós: enviou o seu Filho Unigênito ao mundo, para que pudéssemos viver por meio dele. Nisto consiste o amor: não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou e enviou seu Filho como propiciação pelos nossos pecados.
1 João 4:9-10

Aviamento

Avivamento pode também ser descrito como despertamento. Mas o que pode despertar senão alguém que está dormindo? Se estamos clamando por isso como juventude, temos que nos preocupar e agir de forma que nos preocupemos com nosso estado espiritual atual. Não devemos pensar "minha igreja precisa de avivamento", mas "eu preciso de avivamento". Estes despertamentos na Bíblia são vistos como uma comunidade de pessoas vivendo cheios do Espírito Santo, por isso devemos buscar ser cheios do Espírito Santo como e avivados como igreja, mas isso começa individualmente.

E nós estamos certos em nos preocupar, pois nós sabemos, pelo que Jesus diz em Apocalipse 3:16, qual o fim de quem está morno, Cristo diz que por não ser quente nem frio, mas morno, ele utiliza a metáfora de que está próximo de vomitar a igreja de Laodicéia. No mesmo livro de apocalipse, Ele adverte a Igreja de Éfeso a voltar ao primeiro amor.

Citando rapidamente Jonathan Edwards:
Vocês precisam refletir e despertar de vosso sono, pois jamais poderão suportar a fúria e a ira do Deus infinito. E vocês que são rapazes e moças, irão negligenciar este tempo precioso que desfrutam agora, quando tantos outros jovens de vossa idade estão renunciando às futilidades da juventude e acorrendo céleres a Cristo? Vocês têm neste momento uma oportunidade, mas se a desprezarem, sucederá o mesmo que agora está acontecendo com todos aqueles que gastaram em pecado os dias mais preciosos de sua mocidade, chegando a uma terrível situação de cegueira e insensibilidade. (...)
Queira Deus todos aqueles que ainda estão fora de Cristo, pendentes sobre o abismo do inferno, quer sejam senhoras e senhores idosos, ou pessoas de meia idade, quer jovens ou crianças, que possam dar ouvidos agora aos chamados da Palavra e da providência de Deus. Este ano aceitável do Senhor que é um dia de grandes misericórdias para alguns, sem dúvida será um dia de extremo castigo para outros. Quando negligenciam suas almas os corações dos homens se endurece, e a sua culpa aumenta rapidamente. Podem estar certos, porém, que agora será como foi nos dias de João Batista. O machado está posto à raiz das árvores; e toda árvore que não produz fruto, deve ser cortada e lançada no fogo. 
Buscai o Senhor enquanto se pode achar, invocai-o enquanto está perto. Deixe o perverso o seu caminho, o iníquo os seus pensamentos; converta-se ao Senhor, que se compadecerá dele, e volte-se para o nosso Deus, porque é rico em perdoar” . (Isaías 55.6-7). 
Então, se você está se sentindo morno ou frio na fé, desinteressado não só pelas coisas da igreja, mas pelas coisas de Deus, é necessária uma auto-análise muito séria. É normal uma oscilação na vida cristã, mas não é normal se você não percebe ou não se sente incomodado com isto. Cristo tem bem claro como não gosta do que está morno ou parado e confortável (Ap 3:16). Ele disse que larga é a porta que leva a perdição e que estreito é o caminho que leva a Salvação (Mt 7.13). Não se acomode. Agora, são necessárias atitudes para abandonar este estado perigosíssimo. Eu sugiro algumas coisas: Oração, leitura da palavra, disciplina espiritual,, confissão (Sl 66.18-20), buscar conhecer mais a Deus e comunhão com os irmãos. Aproveitar cada momento com o povo de Deus. Coisas que você provavelmente fazia no seu primeiro amor (Ap 2.4-5), com uma vantagem: a sabedoria de não existir mais aquele que talvez pudesse ter sido considerado como um exagero de emoções da sua conversão, mas um clamor pela volta da sua vontade de buscar, servir e louvar a Deus (Sl 63). Temos que constantemente buscar uma vida de santidade. E santidade não é uma caricatura de perfeição que até nos incomoda, santidade não é ser esquisito depois de convertido. Santidade é a busca de uma vida de relacionamento com Deus, e algo que devemos buscar com toda importância e intensidade (Hb 12.14). E ter consciência de que toda esta busca não é o mínimo que você deveria fazer em retribuição a um amor tão grande que te atingiu em Jesus Cristo, mas que você não tem outra escolha, outra opção de vida.
Assim conhecemos o amor que Deus tem por nós e confiamos nesse amor. Deus é amor. Todo aquele que permanece no amor permanece em Deus, e Deus nele.

Discipulado

O discipulado, uma ordem de Cristo no "Ide e fazei discípulos", é a raiz da igreja e a sustentadora da nossa vida espiritual. Todos sabemos que é impossível ser cristão sozinho, mas em que isso ocorre na prática? O discipulado também é definido como o "andar junto", é, entendendo o amor que te atingiu, buscar atingir outros. Ensinar e transmitir este amor. Numa época de tanta agitação, correria e falta de tempo, precisamos separar um pouco para nos entregar. E isso não é apenas uma dificuldade de contato ou tempo, é uma batalha espiritual!
Amados, visto que Deus assim nos amou, nós também devemos amar-nos uns aos outros.

Ninguém jamais viu a Deus; se nos amarmos uns aos outros, Deus permanece em nós, e o seu amor está aperfeiçoado em nós.

Passando a mensagem:
Nós lhes proclamamos o que vimos e ouvimos para que vocês também tenham comunhão conosco. Nossa comunhão é com o Pai e com seu Filho Jesus Cristo. Escrevemos estas coisas para que a nossa alegria seja completa.

E como resultado disso, temos o conhecimento para que sejam seguidos os mandamentos de Cristo, para que as pessoas andem em luz. Se este ensinamento não for transmitido, como andaremos em luz? 

Além da importância deste conhecimento para o aperfeiçoamento da nossa fé:
Aquele que diz: "Eu o conheço", mas não obedece aos seus mandamentos, é mentiroso, e a verdade não está nele.

Mas, se alguém obedece à sua palavra, nele verdadeiramente o amor de Deus está aperfeiçoado. Desta forma sabemos que estamos nele.

E, no discipulado, vemos a importância da comunhão para nos mantermos e sustentarmos firmes, uns aos outros:
Se afirmarmos que temos comunhão com ele, mas andamos nas trevas, mentimos e não praticamos a verdade.

Se, porém, andamos na luz, como ele está na luz, temos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus, seu Filho, nos purifica de todo pecado.

Vida Relevante
Foi assim que Deus manifestou o seu amor entre nós: enviou o seu Filho Unigênito ao mundo, para que pudéssemos viver por meio dele.
Entendo por esta passagem de como nós podemos ter uma vida relevante perante a sociedade, igreja, família, trabalho, etc... É entendendo o amor que nos atingiu, e que nos faz viver por meio de Cristo. E se vivemos por meio de Cristo, isto também significa que não há mais vida fora Dele. E uma vida por meio de Cristo, e da contemplação de Seu amor por nós nos fará relevantes em qualquer ambiente. Teremos uma postura de obediência aos mandamentos de Cristo. Seremos canais de Sua graça.

E quanto mais conhecemos a Deus, compreendemos que nós não merecíamos a manifestação do amor de Deus por nós. Assim como o mundo não merece. Poderíamos viver de uma forma apática sobre isso, afinal, não merecemos mesmo. Mas há uma verdade "incômoda": nós recebemos este amor. Isso é constrangedor (2Co 5.14). Isso nos faz transmitir este amor ao mundo (Rm 1.16).

Quando entendemos que amor nos atingiu, vemos as pessoas com o pensamento de que elas também precisam deste amor. Quando entendemos a graça que nos atingiu, vemos as pessoas como seres que precisam desta graça. E nós temos que ser canal de Deus para isso, transmitindo o que recebemos, de forma incondicional, como Ele fez. Sendo assim vamos tratar as pessoas não de acordo com as diferenças sociais, como o mundo faz. Mas como pecadores que carecem, que precisam de nós como canal deste amor. Desta forma seremos relevantes no mundo: proclamando o evangelho e o amor de Deus, em palavras, em atitudes e em vida. Uma vida relevante é uma vida para a glória de Deus, e meus irmãos, não somos chamados para nenhuma outra coisa que não a glória de Deus.

Conclusão

Se o que Deus mais odeia que façamos é desobedecê-lo. O que Ele mais o agrada é a nossa obediência à principal ordem que Ele nos dá: Arrependa-se e creia em Jesus. Esta crença não é apenas uma conclusão lógica intelectual. É totalidade de vida, entrega, autonegação. Cristo não nos comprou em partes, em crediário, em consórcio. Ele pagou a vista e comprou tudo. Ele nos comprou por inteiro, com amor que não merecíamos. Amor de sacrifício, de entrega total, de sangue, sofrimento e morte. Proporcionando reconciliação com Deus e sermos chamados de Seus filhos.

Crendo e vivendo em Cristo, mostramos que o adoramos e reconhecemos Seu amor por nós. Reconhecendo e entendendo completamente este amor:
  • Experimentamos o avivamento em nossas vidas, pois não podemos viver uma vida apática diante do entendimento deste amor, ele nos constrange;
  • Compartilhamos deste amor com nossos irmãos, pois ansiamos e incentivamos que nossos irmãos, ensinando e discipulando, para que também compreendam e vivam de acordo com este amor que nos atingiu;
  • Temos uma vida relevante, entendendo o mundo e as pessoas como carecedores da graça e do amor de Deus, dos quais nós não somos melhores nem piores que estas pessoas, mas somos canais desta graça e amor.

quinta-feira, 2 de maio de 2013

Oração: Falando com o Pai ou com o Filho?

    Muitas vezes temos dúvidas sobre qual o papel de Cristo na oração. Nos pegamos orando “Senhor” e ficamos meio perdidos no meio da oração. “Peraí, eu estou falando com o Pai ou com o Filho? Estou falando com Senhor Deus ou com Senhor Jesus? Pra quem peço o que?”.

    Acredito que podemos encontrar esta resposta em alguns capítulos de Hebreus, onde é dito que Jesus é nosso sumo-sacerdote. Mas para entender isso e saber o que um sumo-sacerdote faz, temos que voltar um pouco a história do povo judeu, sob a luz de Cristo. 

    Quando o povo hebreu foi libertado por Deus do Egito, através de Moisés, no deserto Deus começou a preparar uma religação com Ele, uma mediação entre Ele e o povo. Nestas passagens é quando Deus entrega as tábuas da Lei, ordena à construção do tabernáculo, e Arão, irmão de Moisés, é constituído o primeiro sacerdote. O sumo-sacerdote tinha a missão justamente de trabalhar e cuidar das coisas do tabernáculo, cuidar das reuniões do povo e intermediar pelo povo. Sendo também o único que podia entrar no lugar que simbolizava a presença santa de Deus, o Santo dos Santos. 

    O sistema de intermediação funcionava da seguinte forma: Uma vez por ano, as pessoas levavam seus melhores cordeiros ao tabernáculo ou templo para serem sacrificados ao Senhor pelos seus pecados, quem fazia isso era o sumo-sacerdote. E este sumo-sacerdote deveria fazer um sacrifício pelos próprios pecados antes de poder entrar no Santo dos Santos. Ele levava o sangue dos animais sacrificados e aspergia sobre o propiciatório, que era a tampa da Arca da Aliança que continha as tábuas da Lei recebidas por Moisés no deserto. E neste momento ele intercedia pelo povo e por seus pecados. 

    Quando chamamos Jesus de sumo-sacerdote, estamos admitindo o cumprimento e a validade do antigo testamento. Pois temos em Cristo um sumo-sacerdote. Agora, ao invés de levar nossos melhores animais, que simbolizava o melhor que o povo tinha, levamos nossos corações a Cristo e diante de Deus. Nós também temos agora um homem que tem livre acesso a Deus, pois não tem pecado algum. Temos um sacrifício final e eficaz realizado por nós. Cristo, um cordeiro puro, sem manchas, foi sacrificado pelos nossos pecados, e seu sangue é derramado sobre a Lei, declarando seu cumprimento e a nova aliança, onde o sacrifício final já foi realizado. E temos à direita do Pai um sacerdote, que apresenta ao Pai seu próprio sacrifício por nós. Que intercede por nós, que nos compreende, pois foi carne e osso como nós e tentado em todas as coisas, sem pecado, sendo nosso único, definitivo e eterno intercessor diante de Deus. 

    Sendo assim, também temos como componente na oração o Espírito Santo. Que clama por nós com gemidos inexprimíveis, nos consola, orienta e guia. Toda oração deve ser direcionada ao Deus trino e podemos concluir dizendo que oramos para o Deus Pai, através do Filho, com o poder do Espírito Santo.