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quarta-feira, 26 de outubro de 2016

Salmo 121


Levanto os meus olhos para os montes e pergunto: De onde me vem o socorro?
O meu socorro vem do Senhor, que fez os céus e a terra.
Ele não permitirá que você tropece; o seu protetor se manterá alerta,
sim, o protetor de Israel não dormirá, ele está sempre alerta!
O Senhor é o seu protetor; como sombra que o protege, ele está à sua direita.
De dia o sol não o ferirá, nem a lua, de noite.
O Senhor o protegerá de todo o mal, protegerá a sua vida.
O Senhor protegerá a sua saída e a sua chegada, desde agora e para sempre.
- Salmos 121:1-8

O salmo 121 é um dos salmo que fica no conjunto dos chamados Salmos de Romaria, que vai do salmo 120 ao 134. Os judeus cantavam estes salmos enquanto subiam “o monte” para as principais festas de Jerusalém, onde cantavam sua confiança no Senhor. Este Salmos também nos ensina algumas verdades sobre a nossa condição humana, sobre o nosso relacionamento com Deus. Sobre nossos conflitos e anseios. E sobre a segurança que vem do Senhor.

1 - Elevo meus olhos para o monte

O Ser humano é um ser ansioso. Está sempre olhando para lugares altos, elevando seus olhos, contemplando a existência e procurando algo maior do que a si mesmo. Há em nós uma certa inquietude constante que só é sanada pela confiança em Deus na volta de Cristo, e que um dia não teremos falta de mais nada. Mas nesta realidade muitas vezes percebemos esta falta. E, de tanto contemplar, surge em nosso coração a pergunta…

De onde virá o meu socorro?

Alguns filósofos dizem que existe um termo que diferencia o Homem dos animais: a angústia (definição simplória e incompleta, sabemos). E esta definição diz muito sobre esta pergunta. De onde virá o meu socorro?
Estamos sempre em busca de algo melhor. Deus colocou em nosso coração o sentimento de que falta algo porque Ele suprirá esta falta um dia. Este sentimento é na verdade um incentivo a buscá-lo cada vez mais. Mas as pessoas, perdidas. E nós, quando não estamos andando conforme a vontade de Deus, nos esquecemos disso. E passamos a buscar respostas para nossas angústias em coisas que não podem nos dar.
  1. Na religião: em nossos tempos há propostas de religião incontáveis.
  2. Ciência: muitos, mesmo se dizendo não religiosos, pensam que a ciência um dia trará a resposta final e definitiva para todas as coisas, e põe sua fé nela.
  3. Política: outros pensam que a solução para todas as mazelas do mundo é política. Um governante um dia acabará com todos os problemas que existem.

Além desta angústia que busca respostas externas no mundo, somos uma geração que tem um sem fim de problemas internos, pois não busca a resposta onde deveria. Essas crises são, por exemplo:
  1. Depressão: Não encontrando respostas, perde-se o ânimo e a esperança pela vida.
  2. Identidade: Não encontrando respostas, eu devo ser algo diferente.

Mas a verdadeira solução para a angústia humana, para a pergunta “de onde vem o meu socorro?” é apenas uma…

2. O meu socorro vem do Senhor, que fez o céu e a Terra.

E para cada angústia de nossa vida, Deus pode ser nosso socorro.

De onde virá o meu socorro?
O meu socorro vem do Senhor
Religião
Deus quer relacionamento
Ciência
Deus é criador e mantenedor
Política
Deus governa tudo e todos
Depressão
Deus é a minha esperança
Identidade
Em Deus encontro a razão de eu existir

E Porquê podemos ter tão grande confiança no Senhor?

  • Vers. 3-4: Ele não dorme. Está a todo momento cuidando de nós.
  • Vers. 5-6: Ele está cuidando do nosso dia a dia. Está próximo.
  • Vers. 7: Ele nos livra do mal, e um dia de “todo” mal que existe.
  • Vers. 8: Ele nos guarda de agora até a eternidade. Para sempre.


Jesus nos inspira a entoar este salmo. Ele subia para as festas em Jerusalém quando menino (Lc 2.40-42) e muito provavelmente, sabendo de todo sofrimento que um dia passaria, cantava “Levanto os meus olhos para os montes e pergunto: De onde me vem o socorro? O meu socorro vem do Senhor, que fez os céus e a terra.”
Um comentarista, sobre este salmo também disse algo muito belo.

“Convinha ao judeu peregrino a caminho de Jerusalém. Convém aos cristãos a caminho da Jerusalém Celeste”

Que nas angústias que tivermos nesta nossa caminhada, quando vier o sentimento de que falta algo possamos nos lembrar: O nosso socorro vem do Senhor.


E que quando virmos este mundo se perguntando angustiado: De onde virá o meu socorro? Possamos trazer esta mensagem de conforto e segurança eternos: O meu socorro vem do Senhor.

quarta-feira, 29 de julho de 2015

A bem-aventurança dos justos - Salmo 1

"Como é feliz aquele que não segue o conselho dos ímpios, não imita a conduta dos pecadores, nem se assenta na roda dos zombadores!
Ao contrário, sua satisfação está na lei do Senhor, e nessa lei medita dia e noite.
É como árvore plantada à beira de águas correntes: Dá fruto no tempo certo e suas folhas não murcham. Tudo o que ele faz prospera!" Salmos 1:1-3
O Salmo 1 é considerado o prefácio dos Salmos. Entende-se que este Salmo é um resumo de todo o livro do Salmo. Ele busca nos ensinar sobre as bem-aventuranças do justo em contraste ao destino dos injustos.

Versículo 1

Primeiro salmo do livro, o Salmo 1 é muito conhecido pelos cristãos por seu primeiro versículo, onde muitos bradam de forma muito piedosa o "Não vos assenteis na roda dos escarnecedores", tentando convencer as pessoas a se afastarem de más companhias. Esta afirmação é verdadeira quando a enxergamos pelo contexto hebraico, oriental, que entendia as afirmações de maneira muito prática. Portanto, 'não se assentar na roda dos escarnecedores' não se referia apenas ao simples ato de se sentar junto dos que praticavam estas obras, mas também de compactuar e ser um dos escarnecedores. Mas a passagem que me chama atenção neste Salmo, e que será tema base na noite de hoje é trazida nos versículos 2 e 3.

Versículo 2

O segundo verso do texto nos mostra, em oposição ao influenciável vacilante, é a postura de um justo diante da lei de Deus, ou da Palavra de Deus. Que não só a tem em muita consideração, mas como também tem nela sua fonte de prazer. O justo se "satisfaz" na Palavra. Este prazer se manifesta em uma vida devocional prazerosa, que o faz pensar nela em todo seu dia. Me lembro de logo quando me converti, quando eu devorava a Bíblia. Não entendia tudo o que lia, mas olhava para as Escrituras como quem olha para o céu estrelado a noite, contemplando admirado sua imensidão em sabedoria, mistério, conhecimento. Sabia que eu poderia compreender sim muito do que há lá, mas que uma vida toda não seria suficiente para esgotá-la. São lembranças doces de um apaixonado, eu sei. Hoje a caminhada já é mais equilibrada, com seus altos e baixos.

Mas a Palavra de Deus deve nos dar prazer, como dá ao salmista. Primeiro por sua origem: o próprio Deus se rebaixando à nossa limitada linguagem para se revelar a nós. E este rebaixamento, apesar de parecer um adjetivo pejorativo, não diminui quem se revelou, de modo que essa revelação é grandiosa ao ponto de sabermos que este Deus se permitiu, por amor, ser chamado Pai por nós. E com essa relação de Pai ele cuida, exorta, orienta, ensina.

Versículo 3


O verso 3 trás uma das mais lindas figuras do que é a nossa relação com Deus. A da árvore plantada junto às águas correntes. Nós somos esta árvore plantada que, como consequência desta alimentação constante, dá frutos no tempo certo e mantém seu vigor. E em tudo o que faz, como justo, prospera.

Este texto permite algumas inserções:


  • A necessidade de alimentação constante.
Precisamos nos alimentar constantemente de Deus, da lei de Deus, da Palavra de Deus, se quisermos dar frutos. E Jesus Cristo é nossa principal fonte.

"Disse-me ainda: "Está feito. Eu sou o Alfa e o Ômega, o Princípio e o Fim. A quem tiver sede, darei de beber gratuitamente da fonte da água da vida." Apocalipse 21:6

  • Provamos de frutos que provém da sabedoria de Deus (no tempo certo).
  • Mantemos nossa vitalidade espiritual, sendo mais dificilmente abalados, mais confiantes e certos de que já temos a vitória final.

Conclusão

Com a vida ligada a Deus e à sabedoria Dele não somos influenciados pelos ímpios, que em nossos tempos são os pensamentos que não consideram Deus, cada vez mais crescente em nossa cultura narcisista e ateísta. Temos prazer na Verdade de Deus e em sua meditação.

sábado, 25 de outubro de 2014

Santos, por quê?


  • Porque Ele é santo 
"Portanto, estejam com a mente preparada, prontos para a ação; sejam sóbrios e coloquem toda a esperança na graça que lhes será dada quando Jesus Cristo for revelado.
Como filhos obedientes, não se deixem amoldar pelos maus desejos de outrora, quando viviam na ignorância.
Mas, assim como é santo aquele que os chamou, sejam santos vocês também em tudo o que fizerem, pois está escrito: "Sejam santos, porque eu sou santo".
Uma vez que vocês chamam Pai aquele que julga imparcialmente as obras de cada um, portem-se com temor durante a jornada terrena de vocês."
1 Pedro 1:13-17

Santidade originalmente significa "separado". Este é um conceito relativamente fácil de se compreender quando falamos de Deus, pois diante de toda sua grandiosidade, glória e poder, percebemos que Ele deve ser, por definição, separado de Sua criação em suas características. 

Agora, a maior definição possível para a santidade de Deus é a de que Ele é totalmente separado do pecado. Como essencialmente Santo, ainda que Ele se relacione com sua criação revelando através dela sua glória e seus atributos (Rm 1:20), Ele odeia o pecado ao ponto de requerer uma separação total dele, e como justo Juiz, exigir seu pagamento (Rm 1:18).

Portanto, como filhos obedientes (14), não devemos viver como éramos quando não conheciamos o quanto o nosso pecado era odiado por este Ser glorioso e Santo, mas devemos viver uma vida com novos interesses e desejos, longe das paixões antigas e desejos egoístas. Longe de desejos que roubavam a glória de Deus. E o texto nos apresenta o termo "amoldar", que denota a conformação, o que é muito diferente de uma vida de luta contra nossos pecados.

Visto que a impecabilidade só virá no céu, devemos viver uma vida santa para a honra e glória de nosso Deus, pedindo mais de seu Espírito Santo (Lc 11:13) para combater e mortificar nossos pecados (Rm 8:3), sem nos amoldar ou conformar a eles. Se antes de conhecer a verdade de Deus éramos mentirosos, que não mintamos mais. Infelizmente vamos sim, em razão de nossa impecabilidade contar uma mentirinha ou outra, mas nunca mais devemos ser mentiroso, amoldados à mentira. Se tinhamos apego à cobiça, se não podíamos ver nossos amigos com terem coisas melhores que as nossas sem ardentemente desejar para nós, aprendemos com Deus a ser contentes com o que temos. Infelizmente, podemos invariavelmente, cobiçar algo em nossos corações. Mas nunca mais seremos amoldados à cobiça. Portanto a ordem é para que não nos amoldemos à desejos da época de nossa ignorância, de quando não conheciamos as santas verdades de Deus.

Pedro também nos instiga, de forma objetiva, a vivermos com temor (17) àquele a quem chamamos de Pai enquanto estamos nesta vida ou jornada terrena. Este temor não é uma atitude medrosa ou temerária por alguma punição. Deus é justo sim, e Ele punirá toda iniquidade (Jo 3:18). Mas aos crentes à quem Pedro dirigiu a carta e à nós, não caberá punição (Rm 8:1). Então porque viver em temor? Pela grandiosidade deste Pai. Pelo seu poder, amor, majestade, glória, força, imensidão, autoridade, infinitude, eternidade, justiça, entre tantos outros (Rm 11:33-36). Temos um relacionamento de filho com este ser Perfeito, e isto não deve nos levar a ter uma vida igual à de quem não é filho Dele nesta terra, nesta peregrinação. Levando uma vida de temor à Deus mostraremos automaticamente às outras pessoas suas características. Seremos reflexos e canais de seus, e unicamente seus, gloriosos atributos nesta terra (2 Co 3:3). Além disso, como peregrinos nesta terra, devemos viver como quem tem sua esperança na morada final. Sabendo que Jesus está agora nos preparando uma morada, nossos olhos nunca devem perdê-la de vista. E uma vida de santidade é o que se espera de alguém que está esperando para morar com Jesus Cristo.

  • Pelo preço

"Pois vocês sabem que não foi por meio de coisas perecíveis como prata ou ouro que vocês foram redimidos da sua maneira vazia de viver que lhes foi transmitida por seus antepassados, mas pelo precioso sangue de Cristo, como de um cordeiro sem mancha e sem defeito, conhecido antes da criação do mundo, revelado nestes últimos tempos em favor de vocês.
Por meio dele vocês crêem em Deus, que o ressuscitou dentre os mortos e o glorificou, de modo que a fé e a esperança de vocês estão em Deus."
1 Pedro 1:18-21

Outro aspecto fundamental que deve nos levar a uma vida de santidade é o preço pelo qual fomos comprados. Quando fomos remidos e nossos pecados foram pagos naquela cruz. Mas eles não foram pagos com moeda ou ouro. Não foram pagos por nossas atitudes, por nossas boas ações, por nosso serviço pela igreja. Nossos pecados foram pagos pelo precioso sangue do cordeiro. O Filho de Deus foi feito oferta pelo pecado (Rm 8:3; 2 Co 5:21), pois somente um sacrifício perfeito poderia apascentar a ira de um Deus perfeito.



Certamente ele tomou sobre si as nossas enfermidades e sobre si levou as nossas doenças, contudo nós o consideramos castigado por Deus, por ele atingido e afligido.Mas ele foi transpassado por causa das nossas transgressões, foi esmagado por causa de nossas iniqüidades; o castigo que nos trouxe paz estava sobre ele, e pelas suas feridas fomos curados.Isaías 53:4-5
Jesus não desviou a Ira de Deus que estava sobre nós (justificados), Ele a absorveu!Josemar Bessa

"O sentido da cruz é horrivelmente distorcido, quando os profetas contemporâneos que pregam a auto estima dizem que a cruz é testemunha do meu valor infinito, já que Deus estava disposto a pagar um preço tão alto para me alcançar. A perspectiva bíblica é que a cruz é testemunha a favor da infinita dignidade da glória de Deus e contra a imensidão do pecado de meu orgulho. O que deveria chocar-nos é que temos trazido tanto desprezo sobre a dignidade de Deus que a morte de seu próprio Filho foi requerida para vindicar esta indignidade. A cruz se levanta como testemunho da infinita dignidade de Deus e o infinito ultraje do pecado." John Piper

Diante da perspectiva de qual a grandiosidade e glória deste que derramou seu sangue na cruz para pagar nossos pecados. O Verbo que se fez carne (Jo 1:1), aquele que é a imagem do Deus invisível, por meio de quem tudo foi feito, tudo existe e subsiste (Co 1:16-19), aquele que tem todas as coisas sob os pés (Ef 1:22), o Filho amado de quem o Pai se compraz (Mc 1:11), aquele que é um com o Pai (Jo 10:30). Este que, rejeitado, ouviu seu povo gritando "Mata-o, mata-o, crucifica-o" (Jo 19:15). Este que, pelo nosso pecado, foi cuspido, espancado, zombado (Mt 27:30-31), pregado numa cruz entre ladrões (Mt 27:38), nele foi colocada uma coroa de espinhos (Mc 15:17), no sofrimento da cruz disse "tenho sede" e lhe deram uma esponja embebida em vinagre para beber (Jo 19:29), este que expirou depois de tanto sofrimento dizendo "está consumado"(Jo 19:30).

Mas esta história não termina aí. Estava consumado, a ira do Santo Deus estava satisfeita. Mas este Jesus Cristo, o glorioso Deus Filho, foi ressuscitado. Vencendo a morte, pisando na cabeça da serpente (Gn 3:15). E este Jesus homem hoje está em posição de honra, à direita do Deus Pai (Lc 22:69). Nos preparando morada (Jo 14:23). E é olhando para esta morada que, vivendo de maneira digna dela e pelo que ela custou, devemos viver em santidade. E percebendo que este sacrifício foi a manifestação do amor de Deus (Jo 3:16), viveremos de maneira santa, não pela lei, por regras de homens, por condutas sociais, ou por aparência de religiosidade, mas por quê o amor de Cristo nos constrange (2 Co 5:14).
  • Conclusão
Seremos santos vivendo com a perspectiva do céu, na esperança da volta de Cristo. Devemos ser santos nesta jornada como Deus é Santo, para agrada-lo e glorificá-lo, e para que outros pessoas vejam a ação de Deus em nós e creiam Nele. Seremos Santos quando vivermos com a perspectiva do que custou nossa salvação, o Sangue de Cristo. E seremos Santos, quando vivermos contemplando a glória de Deus na ressureição de Cristo. Somos Santos porquê já temos a vitória eterna em Jesus. É quando entendemos que vivendo uma vida sob as perspectivas do temor e do amor de Deus, somos santos para a glória Dele.

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