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quinta-feira, 30 de julho de 2015

Nota: Ele cresça e eu diminua?

"Vocês mesmos são testemunhas de que eu disse: Eu não sou o Cristo, mas sou aquele que foi enviado adiante dele. (...) É necessário que ele cresça e que eu diminua."João 3:28-30

A afirmação contextualmente se refere a ministério profético. O de João Batista tinha que diminuir para que o de Cristo passasse a exercer o papel mais relevante como profeta do seu tempo. João falou isso e fez todo sentido para ele. "O grande profeta é ele, vocês tem que prestar atenção nele e não em mim, portanto meu ministério vai diminuir, galera"

A figura que relaciona os cristãos em modo geral no NT fala de algo muito maior. É pegar sua cruz. Nascer de novo. Ser comprado por inteiro. Não tem nada a ver com um "progresso" de Cristo crescendo em nós.

Claro, a analogia é válida, temos que abafar nossa natureza do velho homem para que o novo homem em Cristo tenha mais destaque através de nossa vida, mas isso nada tem a ver com a fala de João. Mas também não é nenhuma heresia, só penso que não caiba como aplicação a passagem.

quinta-feira, 23 de abril de 2015

Nota: Refutação à necessidade de reencarnação para nosso "progresso"


Resposta à afirmação que, entre outros pressupostos, a Bíblia suporta o conceito de reencarnação:

“No dia em que as religiões entenderem o princípio da reencarnação, que parte do princípio em que o progresso de sua vida está em suas mãos, acabariam os intermediários (como papa, padre, pastor) na relação entre o homem e Deus”

Se o progresso depende só de nós, não há necessidade de Deus. Se há progresso, ele só pode ser buscado com referência no que é verdadeiramente bom, virtuoso e perfeito, e, ainda que isso levasse algumas milhares de reencarnações, se alcançássemos isso por conta própria, seriamos como esta referência é: Deus. O que é impossível. Mas no sentido de aceitação, Deus propôs se fazer perfeição em nós, e para nosso progresso a própria referência agora habita em nós para auxiliar. Se é Deus quem "está na frente" deste processo e "uma vida" aqui não for suficiente para Ele, este é um deus fraco. Mas um Deus forte e todo-poderoso vê a perfeição e o "progresso" do seu Filho em nós de uma vez por todas.

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Nota: Legalização do aborto

Métodos contraceptivos já existem. Pílula do dia seguinte em caso de estupro também. Legalizar o aborto é condenar crianças à morte em troco da vida das mães inconsequentes (não em todos os casos, claro). Se as crianças abortadas são vidas, é necessário, portanto, protegê-las com lei, como a que existe. E um direito à vida não vale mais que outro. A solução para evitar o aborto é investimento em educação e boa cultura, não legalizá-lo. Considerar o aborto como crime é uma posição totalmente compreensível numa democracia.

Claro que é um fato, há mulheres sofrendo e morrendo, mas o número de crianças mortas certamente será muito maior que o de mães. A pergunta é a seguinte: No ventre há uma vida? Se há, é justo permitir que uma pessoa acabe com uma vida para se poupar de sofrimento? É justo que uma pessoa tenha o direito de tirar a vida de outra?

A lei é justamente para não permitir que uma pessoa se meta na vida de outra e não permita que ela viva. Se é para cada um fazer o que quer com sua vida e não se meter na dos outros, que direito tem alguém de escolher que uma criança não viva?

Que haja mais ensino sobre prevenção, responsabilidade, dignidade da vida humana, e, caso haja um aborto, que esta mãe tenha todo amparo. Mas que uma pessoa nunca tenha o direito de tirar outra vida inocente.

O argumento é que a criança será abandonada, mas então é melhor a morte que o abandono? Ou orientar para que não haja abandono?

O amor próprio não pode dar o direito decisão sobre a vida ou morte de alguém.

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Nota: Sociedade judaico-cristã, lei e justiça social

Na verdade o cristianismo e seu conceito de justiça são derivados de uma interiorização dos significados transmitidos pela lei mosaica. Muita coisa que acontecia na época de Jesus já era uma deturpação rigorosa e fria da lei mosaica, e a aplicação desta justiça já não era a divina, mas a injusta e humana como na conhecida história da mulher samaritana.

Cristãos que justificam com as punição pelas próprias mãos já estão em desacordo com a interpretação da lei que Jesus trouxe. Para os cristãos a sociedade gera sim seus próprios valores, o que não quer dizer que cristãos não possam viver os seus ou tentar influenciá-la, já que são parte da sociedade e tem todo direito a isso. Mas tentar impor uma moral cristã a uma sociedade laica é errado, pois está nivelando a moral, e consequentemente a justiça, com o que é pecado ou não. E pecado é uma condição pessoal, não social, ainda que suas consequências possam ser sociais.

Enfim, a justiça é gerada pela sociedade diante dos direitos e da preservação das propriedades e fornecimento de oportunidades a todos. A aplicação deve ser executada pelo representante da sociedade, o estado. O garoto do poste não estava aplicando justiça se virmos pelo aspecto de que causou injustiça a quem ele roubou. A sociedade gera justiça. A sociedade cobra.

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Nota: Direita, esquerda, mal e bem

Em características gerais, e ainda que eu não goste muito de rótulos, é possível se fazer uma breve análise sobre os dois grupos que reagem à questões políticas e sociais: a direita e a esquerda.

Boa parte dos cristãos são os considerados conservadores de direita, que tem como características gerais serem contrários à um tipo de política de controle estatal, inúmeros benefícios sociais, são a favor da livre iniciativa, da ação do indivíduo como agente de mudanças na própria condição e na sociedade, preservador da instituição familiar e que se posicionam contra algumas questões ditas progressistas como liberação de drogas, direitos a homossexuais, entre diversas outras.

Na contrapartida estão se manifestando os esquerdistas. Este grupo é em geral a favor de um Estado mais presente na sociedade como órgão de controle, legislador e distribuidor de recursos, promovendo igualdade de gêneros, raças e classes sociais. Há uma visão, em suma, humanista da realidade, derivada dos pensamentos do maior criador de sua ideologia: Karl Marx.

Basicamente a diferença entre os dois, quando esta não está nos valores morais e éticos de cada um, está sua opinião sobre o nível de atuação do Estado na vida da sociedade e sua influência na vida das pessoas.

Sob o ponto de vista cristão os conservadores e os "esquerdistas" nunca se entenderão por um motivo que creio ser o principal: a perspectiva da realidade humana.

Para os cristãos, grande parte dos conservadores, somos uma raça manchada e enraizadamente influenciada pelo pecado, que para os cristãos não é apenas uma conduta social inadequada, mas uma condição natural humana que, sem a intervenção divina (direta ou indireta, pela Bíblia), não pode praticar nada de bom, observando através desta perspectivas os erros e acertos da humanidade como cumprimento ou não cumprimento dos valores divinos. E diante da ação e entendimento destes valores divinos, promover o bem é vivê-los e transmití-los a outros seres humanos.

Já para os esquerdistas, que tem uma visão em geral humanista da realidade, o homem é gerador de valores, capaz de, diante de melhores condições sociais, econômicas e educacionais, escolher praticar o bem ou o mal, e diante de condições ideais para a escolha do bem, propagá-lo.

Os embate entre as duas posições sempre se dará principalmente por estas razões e pelo seu efeito em suas cosmovisões. Os direitistas nunca aceitarão a posição dos esquerdistas pois sabem que do homem só pode vir o mal, devido ao efeito do pecado, e que a atuação dos indivíduos somente pode ser boa diante da interferência de Deus, e tem à seu favor os exemplos de que o mal não deixou de existir e nem de ser praticado em sociedades praticamente "livres" de influências cristãs, onde apesar das condições sociais, educacionais e econômicas equilibradas, ainda há crimes, assassinatos, roubos, etc. Enquanto os esquerdistas utilizam à seu favor o fato de que sociedades cristãs, e que até tinham sua religião como aparelho do Estado ou crença oficial e geral da sociedade, não tiveram boa conduta e também houve desigualdade, crimes, violência, às vezes até sob a interpretação (errada) de que eram da vontade de Deus à luz da Bíblia.

Vemos que o mal é presente e está na essência do homem, com apenas uma diferença entre as duas posições, que é a de que os cristãos tem uma explicação extremamente razoável e consistente para este mal: o pecado. E diante esta perspectiva, não podem confiar plenamente em algum tipo de governo que, mesmo corretamente desvinculado do cristianismo, o proíba, interfira ou queria se afastar totalmente de seus valores, como querem os governos de esquerda quanto mais alcançam poder.

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Nota: Sobre igrejas e argumentos de desigrejados

-- Caro Ramon, você considera as cartas dos apóstolos do novo testamento como inspiradas?
-- Amigo eu considero o que saiu da boca de Jesus e está relatado. Discussões sobre documentos secretos da Ig, Católica e essas coisas eu ainda não sei nada a respeito... Pq a pergunta?
Perguntei porque eu creio na inspiração das cartas e na soberania de Deus para preservar o cânon como o temos. Não sei os motivos de você não acreditar, ou não buscar conhecer. Já que as fontes das cartas e dos evangelhos são praticamente as mesmas. E sendo assim nossa discussão fica prejudicada, pois não temos as mesmas bases, mas vou tentar argumentar contigo.

Jesus Cristo ordenou a congregação (não os templos ou instituições, obviamente, essas são apenas formas organizadas, mas válida, de congregação). E muita gente, não sei se é o seu caso, desconsidera a igreja e passa a encontrar meios de rejeitá-la por experiências ruins. Posso falar por mim, eu faço parte de uma igreja que não é perfeita, mas tem projetos com drogados, em bairros pobres e trabalhos missionários, onde direciona seu dinheiro. Todo mês todos os membros recebem um relatório de onde foi cada real gasto.
As cartas apostólicas nada mais são que direcionamentos inspirados e alinhados a todo o restante da Escritura para orientar essa igreja, ordenada por Cristo. Inclusive o pastoreio foi orientado por Cristo. Os pastores recebem pois o trabalhador é digno de seu salário, mesmo assim devem receber para se manter, e não enriquecer.

Agora, pegar os péssimos exemplos que realmente existem de igreja, generalizar e desacreditá-la, eu acho um tanto injusto meu caro. Imagino que o amigo conheça os evangelhos, então não vou citar os textos, mas caso queira eu os cito.

No amor de Cristo!

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Nota: O Deus de todas as religiões é o mesmo? Amar o próximo?

Sobre uma possível frase do Papa Francisco de que todas as religiões demonstram algo de Deus, e consequentemente, levam a conhecê-lo. Vemos por aí também como acusação, geralmente de pessoas que não acreditam em Deus, o argumento de que o maior mandamento aos cristãos é amar uns aos outros, e que não o cumprimos.

Na verdade há uma ordem de importância, dita por Jesus mesmo:

"Mestre, qual é o grande mandamento na lei?
E Jesus disse-lhe: Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento.
Este é o primeiro e grande mandamento.
E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo.
Destes dois mandamentos dependem toda a lei e os profetas." - Mateus 22:36-40

O primeiro é mais importante que o segundo, e quando ele fala isso está refletindo o trecho do antigo testamento que diz:

"Ouve, Israel, o Senhor nosso Deus é o único Senhor.
Amarás, pois, o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todas as tuas forças." - Deuteronômio 6:4-5

A crença no Deus bíblico auto-exclui logicamente a existência e a crença em outros, e quem diz ser cristão e aceita a existência de outros deuses como possível está sendo ou ignorante à bíblia por não a conhecer, que é o caso de muitos, ou está de má vontade mesmo. E cumprir o primeiro mandamento grande mandamento é isso. Se eu tenho que amar a Deus de todo o coração, alma e entendimento, este Deus é o bíblico e único. O que significa que eu só posso conhecer este Deus onde está escrito que ele é o único e verdadeiro, na Bíblia, ou seja, não dá para conhecer a Deus através do Islã, Hindu e tudo mais, apesar destas religiões conterem traços parecidos, o mais importante não está aí: o próprio Deus.

Já o cumprimento do segundo grande mandamento, o de amar o próximo, significa que o cristão tem que amar sim a gays, muçulmanos, budistas, etc. O pessoal gosta de citar que Jesus acolheu ladrões, prostitutas, etc, mas não gosta de lembrar (talvez por não saber) o que ele falava para estas pessoas, como no caso da adúltera: "eles te condenam mas eu não te condeno, vá e não peques mais". O que é mal executado claramente por boa parte dos cristãos, sejam padres ou pastores, que estão em evidência na sociedade e tem mais discursos de ódio que de paz. Que dizem "vá e não peques mais", mas não dizem "eu não te condeno". Que confundem julgamento moral das ações com condenação. Amar é não condenar, mas não só isso, é instruir o que se deve fazer, o que é correto e agrada a Deus, e essa parte realmente não fará muito sucesso por aí. Querem que sigamos a Jesus, mas só em partes.